sábado, 22 de setembro de 2007

A garota das laranjas...

... "Passamos a usar cada vez com mais freqüência o pronome "nós". É uma palavra
estranha. "Amanhã eu vou fazer isso ou aquilo", a gente diz normalmente. Ou pergunta a outra pessoa, a "você" por exemplo, o que vai fazer. Isso não é difícil de entender. Mas de repente "nós" passa a ser a coisa mais óbvia do mundo. "Nós vamos de balsa a Langoyene para nadar?" — "Ou vamos ficar lendo em casa?" — "Nós gostamos da peça de teatro?" — E então, um dia: "Nós somos felizes".

Ao empregar o pronome "nós", a gente estabelece uma conexão entre duas
pessoas com uma ação comum e quase faz com que elas se transformem em uma só.
Muitas línguas têm um pronome especial para se referir a apenas duas pessoas. Esse
pronome se chama dual, e designa as coisas que vão aos pares.

Eu acho isso importante, pois às vezes a gente não é nem uma pessoa nem muitas. A gente é "nós dois", e o é como se esse "nós dois" fosse inseparável. São fabulosas as regras que passam a vigorar quando esse pronome é subitamente introduzido, quase como por um passe de mágica: "Agora nós vamos cozinhar". — "Agora vamos abrir uma garrafa de vinho." — "Agora vamos dormir." Não chega a ser absurdo falar assim? Em todo caso, é completamente diferente de dizer "Agora você precisa tomar o ônibus e ir para casa, eu estou cansado".

Quando a gente usa o dual, do qual a palavra "ambos" é um vestígio, passam a vigorar regras totalmente novas. "Nós vamos passear!" Nada mais simples, Georg, somente três palavras, e no entanto elas descrevem uma seqüência de atos que interferem profundamente na vida de duas pessoas na Terra. E não é só em termos de quantidade de palavras que se pode falar em economia de energia. "Vamos tomar banho", disse Veronika.

"Vamos comer." — "Vamos dormir!" Quando a gente fala assim, precisa só de um chuveiro. Precisa só de uma cozinha, só de uma cama. "

Trecho do livro título do post por"Jostein Gaarder"

CONCLUSÃO:
No fundo o que todos e qualquer um de nós seres humanos buscamos durante toda nossa ínfima existência nesse planeta é querer usar o pronome "Nós". (Você nasceu, cresceu, aprendeu, trabalha, respira e pensa apenas para um dia ter o direito ou a chance de usar este pronome)

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